Casos de variante investigados em MT podem gerar 3ª onda da pandemia

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SÍLVIA DEVAUX

DA REDAÇÃO

Os mais de 200 casos suspeitos em Mato Grosso de infecção por variante da covid-19, investigados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), podem gerar uma terceira onda da pandemia no Estado.

A médica patologista, pediatra, e representante do Conselho Federal de Medicina, Natasha Slhessarenko, alerta que o vírus vem sofrendo milhares de mutações em cada indíviuo que ele entra e surgem variantes com poder de infectividade muito maior. 

Inclusive, a especialista reforça que por ter sofrido mutações e ser diferente do vírus original é culpado pelos casos de reinfecção registrados e uma pessoa pode ter a covid mais de uma vez.

“Sabe-se que essa variante é 50 a 74% mais transmissível”, assinala a médica ao falar da facilidade que uma variante tem para se ligar a uma célula e infectar a pessoa.

Segundo ela, essa ligação é facilitada por causa da mutação que sofreu e, então, se liga mais facilmente na célula e, por isso, o vírus se transmite mais porque tem mais carga viral. “Entra mais vírus, porque se liga mais à nossa célula”, pontuou.

Uma nova variante é caracterizada sempre que ocorrem várias mutações do vírus e, segundo ela, quase todas as manifestações da covid que a gente já conhece se multiplica e ao se multiplicar começa a sofrer as mutações.

Variantes

A especialista observa que já existem descritas em todo o mundo 3 novas variantes: a  B.117, a B.1.351 e a P1 que é a chamada variante brasileira.

A B.117, que é a variante do Reino Unido, Inglaterra, foi descrita pela primeira vez em Kent. A B.1.351 é a variante da África do Sul e, mais recentemente foi descrita uma variante na Amazônia, está vem sendo chamada de P1.

“Acredita-se que o vírus original, descrito incialmente lá em Wuhan [China] em janeiro de 2020, não existe mais. Já sofreu tanta mutação que hoje está diferente”.

Conforme a médica, dessas variantes, a mais estudada delas é a do Reino Unido, que teria sido responsável por mais da metade dos casos noficados em Manaus de dezembro do ano passado.

As três têm em comum a  mutação N501Y que a alteração genética da proteína da espícula do coronavírus, as pontas que formam a sua coroa) e que são o primeiro ponto de contato do vírus com as células.

Estudos que são feitos já mostram que essa mutação permite que o vírus se encaixe de forma mais firme nas células humanas, o que faz com que seja mais contagioso.

“E, com certeza, já tem em todo o Brasil. Essa variante descrita no Amazonas já tem também. Já foi descrita em algumas cidades. Se transmite muito rápido. Agora se são muito mais agressivas e se leva a mais óbitos? Isso a gente ainda não sabe”, emendou.

Prevenção – Mas, apesar das diferenças, ela ressalta que a forma de prevenção continua a mesma. “As pessoas têm que manter os cuidados, porque como os indivíduos têm carga viral maior ele transmite mais e ao transmitir mais, o outro pode pegar mais se ele não se cuidar”.

Até que todos sejam vacinados, a prevenção ainda é apontada pelos especialistas como a melhor arma contra a covid-19. Assim, ela recomenda “6 medidas de ouro para evitar a contaminação”: usar máscara, manter distanciamento social, lavar sempre as mãos, usar o álcol gel na falta de sabão e água, evitar aglomerações. 

Repórter MT


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