‘Contador’ de Marreta prestava contas de dentro da cadeia por aplicativo; evitava ostentar para não chamar atenção

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A organização criminosa chefiada por Luciano Mariano da Silva, conhecido como ‘Marreta’ e desmantelada em operação integrada da Polícia Federal (PF) e Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), nesta sexta-feira (05), tinha até um contador que prestava contas de dentro de uma cadeia no Nordeste brasileiro por um aplicativo de mensagens. Os membros evitavam ostentar para não chamar atenção das autoridades.

“Tinham uma estrutura própria deles. Alguns dos criminosos presos hoje eram responsáveis pela questão financeira e contábil. Um deles, de dentro da cadeia, no Nordeste, fazia o controle de todos os valores recebidos. Por meio de planilhas, fazia a prestação de contas. Utilizavam grupos de mensagem para repassar isto”, explicou o delegado da GCCO, Frederico Murta.

Dos 21 alvos da operação desta sexta-feira, oito já estavam em unidades prisionais, sendo quatro em Mato Grosso e a mesma quantia em outros Estados. Apenas Marreta encontra-se na Penitenciária Central do Estado (PCE).

“Não identificamos aquela postura de ostentar veículos de luxo, casas de alto padrão. Os valores são altíssimos, mas os lucros são canalizados em uma única direção. São vários imóveis, mas todos ligados ao líder. Os demais vivam como criminosos normais, produzindo para um único beneficiário. Sempre no intuito de despistar qualquer tipo de coisa que chamasse atenção. Sempre foi criterioso com isto”, explicou o delegado Frederico Murta.

Segundo o delegado Regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Jorge Vinicius Gobira Nunes, para tentar esconder a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, os criminosos utilizavam uma técnica conhecida como estruturação (smurfing), que consiste no fracionamento de uma grande quantia em pequenos valores, de modo a escapar do controle administrativo imposto às instituições financeiras evitando assim que grandes vultos de dinheiro sejam descobertos quanto à sua origem ilícita.

Murta também disse que não é possível cravar que Marreta estaria sendo ameaçado dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), por uma facção criminosa, pelo motivo de lucrar em cima delas. “Ele teve vários outras situações junto a esta organização, seria leviano afirmar que foi apenas por isto”.

Operação

As investigações apontaram ainda que a organização criminosa funcionava como uma espécie de franquia do crime, com conexões e relações comerciais com outras organizações criminosas, dentro e fora de Mato Grosso.

O grupo organizava a logística de fornecimento de entorpecentes a integrantes de outras organizações atuantes na região nordeste do Brasil.

No decorrer das investigações, ficou demonstrado que os alvos atuavam no tráfico de drogas em diversos municípios de Mato Grosso, dentre eles Barra do Bugres, Alto Paraguai, Jaciara, Nova Olímpia, Feliz Natal e Nova Mutum. Nestas cidades, qualquer traficante que pretendesse comercializar entorpecentes deveria ser previamente autorizado pelos líderes, sendo obrigado a adquirir a droga diretamente do grupo.

O grupo era responsável pela carga de cerca de 500kg (quinhentos quilogramas) de maconha, apreendida em 26/07/2019, em Rondonópolis/MT. Na oportunidade, apenas duas adolescentes haviam sido apreendidas quando mantinham a droga em depósito a mando dos líderes da organização investigada.

No total, são cumpridas 21 ordens judiciais de prisão preventiva e 13 mandados de busca e apreensão em quatro estados da Federação: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Pernambuco Os mandados foram expedidos pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Marreta

Luciano Mariano da Silva, conhecido como “Marreta”, confessou ter matado o colega de cela, Paulo Cesar dos Santos, conhecido como “Petróleo”, em outubro de 2019, no raio cinco da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Marreta chegou a dizer que considerava Petróleo como um irmão, mas que teria o assassinado para não morrer.

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