Estudantes afirmam que professor universitário cometeu racismo após chamar aluno de ‘cabelo duro’ em MT

Nota de repúdio e solidariedade ao aluno foi assinada por 14 entidades. No documento, os universitários citam outros casos de machismo e gordofobia que teriam sido cometidos pelo docente durante as aulas de história.
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Estudantes relatam casos de racismo na Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) — Foto: UFR/divulgação

Por g1 MT

Quatorze entidades assinaram uma nota de repúdio contra um professor da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), a 218 km de Cuiabá, que teria cometido racismo contra um estudante ao chamá-lo de ‘cabelo duro’. O documento foi divulgado no dia 20 deste mês, no entanto, não há registro de boletim de ocorrência sobre o caso, segundo a Polícia Civil.

Segundo o site g1 ao qual entrou em contato com a reitoria da universidade, mas não obteve retorno até esta publicação.

Conforme a denúncia divulgada pelas entidades, no dia 12 de maio, durante uma aula de história sobre o Império Alexandrino, o professor fez referências à inferioridade racial que separava o povo grego dos povos do oriente próximo. Para “exemplificar” o caso, ele teria apontado para um aluno negro. Em outra situação, o mesmo aluno teria sido chamado de ‘cabelo duro’ pelo docente.

“Ao falar sobre um assunto em sala de aula, o professor disse para o estudante ‘seu grupo vai falar sobre isso’, porém, após o discente olhar para trás por achar que o docente conversava com alguém atrás dele, ouviu o professor falar ‘você mesmo, cabelo duro’, o que foi confirmado por outros colegas”, diz em trecho da nota.

No documento, as entidades também prestam solidariedade ao aluno envolvido no caso.

“É inadmissível que dentro de um espaço do saber, do conhecimento e da diversidade, onde as discussões sobre racismo são inúmeras, onde há 34 anos a Constituição Federal instruiu o racismo como crime, diante de tudo o que vivemos nos últimos anos nesse país, com rompantes negacionistas, um professor não honre a sua ciência e utilize seu lugar de autoridade para cometer atos criminosos contra toda sorte de minorias”, ressalta.

Machismo, gordofobia…

O mesmo professor, segundo os alunos, também já protagonizou atos de machismo, quando uma aluna foi para a aula de cabelo solto e ele insinuou que “a noite dela tinha sido muito boa”.

Os alunos também acusam o docente de gordofobia, quando ele teria insinuado à outra estudante que “com aquele tamanho e blusa neon ela não passava desapercebida”.

Outro caso citado na nota é de uma estudante que estava sofrendo desmotivações em sala de aula por parte do professor pelo fato de ser negra e mãe.

“Uma estudante-mãe sofreu junto ao seu filho retaliações em sala de aula, sendo a mais grave, ter que deixar seu filho assistindo uma aula de Brasil República no ano de 2017 do lado de fora da porta. Quando a criança com menos de 2 anos assistia à um desenho no celular, o professor reclamou, saiu da sala, pegou o celular da criança e abaixou o som, fechando a porta com a criança para fora”, conta.

Na nota, as instituições exigem que o Departamento de História, o Instituto de Ciências Humanas e Sociais e a UFR tomem ações em relação aos casos expostos.

Assinam a nota as seguintes entidades: Associação de Pós-graduandos da Universidade do Estado de Mato Grosso (Apg-Unemat); representantes discentes do programa de pós-graduação em história da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); Diretório central dos estudantes da UFR, UFMT e Unemat; Unegro Rondonópolis; Associação de Pós-graduandos da Universidade Federal da Grande Dourados (Apg – UFGD); Núcleo Virtual de Pesquisa em Gênero e Maternidade (Materna); Coletivo Afrodivas de Niterói – Brasileiras e Cia; Associação de Pesquisa em Estudos e Defesa de Negras e Negros de Tucuruí (Apedefa-PA); Grupos de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas de Altamira (Geabi-PA); Grupo estudantil de Prática Docente; Ocupa Cristo Rei Skate Parque; Olhares por uma Educação Emancipadora (Oee).

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