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Médico é ameaçado pelo pai após denunciar hospital do tio e diz que vai deixar a cidade

Fato veio a público na última sexta-feira (16) após o áudio em que o advogado Wagner Jeferson Miranda, pai do médico, faz ameaças ao filho.

O médico Wagner Jeferson Miranda Júnior estaria sofrendo uma série de ameaças do próprio pai, o advogado Wagner Jeferson Miranda, após fazer uma série de denúncias contra o Hospital Santa Rita, em Alta Floresta (803 km da Capital), que é de propriedade do tio do denunciante.

Em um grupo de WhatsApp, denominado “Em Busca da Verdade MT”, Wagner Junior comunicou que deixaria a cidade ‘devido algumas ameaças’, porém, não comunicaria quando deixaria Alta Floresta.

“(sic)Devido a algumas ameaças vou ter que sair da cidade. Mas vou continuar firme e forte no processo. Obrigado a todos que estão me ajudando e que vão me ajudar mais ainda. Não divulgarei a data em que vou ir. Boa noite e fiquem com Deus(sic)”, disse o médico.

Na última sexta-feira (16), uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde fazia inspeção nos leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Santa Rita, que virou alvo de desconfianças após as denúncias do médico no início da semana.

No mesmo dia, ao tomar conhecimento da inspeção no hospital do irmão, o advogado enviou um áudio à esposa do filho, onde fez ameaças e acusações.

“Não vou dar nem conselho para esse moleque. Se eu pegar vou dar de cinta nele na rua. Se eu encontrar o Júnior vou dar de cinta na rua na ferente de todo mundo; ele tá prometido por mim. O dia em que eu encontrar com ele, é meu filho, e eu vou dar de cinta nele. Isso que ele tá fazendo na rede social é um absurdo. Ele está descontrolado, não é homem, não puxou a mim, deve ter puxado a mãe dele. Eu não mandei isso para ele porque se não eu vou aí na sua casa bater nele. Sabe o que é o pai bater? Chamo a televisão para ver ele apanhar”, teria dito o advogado no áudio.

Wagner (pai) ainda ressaltou que o tio, dono do hospital, foi quem ajudou o sobrinho a estudar, inclusive, ajudou o próprio irmão a estudar e se formar para cuidar da família.

“Ele [Wagner filho] deve muito favor a esse tio dele. Se eu fosse ele entraria nessa merda e pedia desculpas falando que estava drogado. Infelizmente peço perdão a Deus, mas eu não quero mais saber do meu filho. Ele vai ficar desempregado e vou pedir para o Marcelo [dono do hospital] nunca mais apoiar ele e ainda que seja quem for sair de perto do Junior. Ele é um moleque, sem vergonha, um drogado. Ele não tem nem noção na repercussão que está fazendo. Que ele fique sabendo que vai preso, vai se lascar. Se depender de uma palavra minha ele não vai ter. O que ele fez com tio dele vai ter consequências gravíssimas na vida dele”.

O advogado disse no áudio que ‘ficou sabendo que o filho tinha agredido a esposa duas vezes’, mas a própria mulher desmentiu a afirmação.

Entenda o caso

O Hospital Santa Rita recebe recurso repassado pela Prefeitura de Alta Floresta na forma de convênio para atender pacientes que precisam de UTIs no município.

O médico afirmou, em suas redes sociais, que o hospital não está com o estoque de remédios e respiradores em dia, que “Inventam que têm medicações quando na verdade tem que sair correndo para comprar”, além de os leitos de UTIs públicos e privados estão todos misturados só pensando no dinheiro.

Devido à falta de respiradores, Wagner disse ainda que durante uma inspeção feita pela auditoria do SUS foi retirado o equipamento de um paciente para a apresentação de uma “UTI modelo”. Segundo ele, ao fim da inspeção, o hospital ‘voltou a bagunça’ que era antes.

O médico disse que já denunciou o hospital para a Prefeitura de Alta Floresta e ao Ministério Público Estadual.

Ação do MP

A 1ª Promotoria de Justiça Cível de Alta Floresta (803 km de Cuiabá) requisitou à Secretaria Municipal de Saúde e ao Escritório Regional de Saúde a realização de perícia no Hospital e Maternidade Santa Rita, envolvendo todos os leitos clínicos e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para tratamento da covid-19, conveniados ou não ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Conforme o promotor de Justiça Luciano Martins da Silva, a finalidade é investigar eventual falta de equipamentos, falta ou racionamento de medicamentos ou insumos, inclusive oxigênio, bem como irregularidade na composição das equipes técnicas.

“No final da vistoria, constatou-se que o Hospital e Maternidade Santa Rita não possuía a quantidade suficiente de respiradores para os 25 leitos existentes, entretanto, foi informada a aquisição de 7 novos respiradores, que chegariam até 17/03/2021, o que supriria a necessidade. Além disso, não foi possível verificar a quantidade exata de profissionais da assistência, bem como, constatou-se a necessidade de organização e padronização de kits e carrinhos para emergência. Por fim, verificou-se a falta de insumos”, observou o promotor de Justiça sobre a inspeção realizada em março.

MÁRIO ANDREAZZA
REPORTERMT

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