MPE diz que vereador João Emanuel líderava quadrilha

Segundo denúncia, ex-presidente da Câmara tentou atrapalhar investigação
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MidiaNews – João Emanuel foi preso na quarta-feira e está recolhido à Polinter, em Cuiabá

A denúncia do Ministério Público do Estado (MPE) que resultou na prisão do vereador João Emanuel (PSD) afirma que o parlamentar era líder de uma quadrilha que cometia diversos crimes em Cuiabá.

Entre eles, crimes contra a administração pública, falsidade, estelionato, grilagem de terras, e adulteração de documentos de veículos.

O órgão ainda acusa o parlamentar de tentar atrapalhar o curso das investigações e, por isso, pediu a prisão dele.

De acordo com o MPE, a quadrilha teria como integrantes Amarildo dos Santos, Marcelo de Almeida Ribeiro, Mário Borges Junqueira, André Luiz Guerra Santos, e Érica Patrícia Cunha da Silva Rigotti.

Outros dois denunciados, Pablo Norberto Dutra Caires e Evandro Vianna Stábile, teriam participado do esquema que desencadeou a operação do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco).

“É de se consignar que o líder da organização criminosa, o denunciado João Emanuel, não obstante ter sido afastado liminarmente por este Juízo da função de Presidente da Câmara de Vereadores da Capital, mas por ainda deter o mandato, se utilizou de todas as formas possíveis para atrapalhar a coleta da prova, bem como uniformizar os depoimentos que seriam colhidos na investigação”, diz trecho da denúncia.

Segundo a denúncia, “as interceptações telefônicas revelaram a intensa movimentação de seu bando no sentido de centralizar as reuniões e convergir as versões da quadrilha, concentrando a defesa em apenas uma banca apenas de advogados. De sua vez, como narrado na denúncia, o bando continua a delinquir, aplicando golpes tal como o descrito na inicial acusatória”.

Crimes

No caso que deu origem à operação, o crime de falsificação teria sido cometido quando Pablo quis vender dois terrenos que estavam em usufruto de sua mãe, Ruth Hércia da Silva Dutra, sem o consentimento dela. Para isso, a assinatura de Ruth foi falsificada.

O MPE relata que os lotes foram vendidos a Caio César Vieira de Freitas, que pagou R$ 250 mil a Amarildo, Pablo e Marcelo. A maior parte do dinheiro teria ficado com Pablo, e o restante teria sido dividido entre os outros membros da quadrilha. Ao fazer uma visita aos terrenos, cerca de 15 dias depois, descobriu que eles já estavam ocupados por um inquilino e que a área pertencia a Ruth.

Na tentativa de resolver a situação, João Emanuel teria pedido a Evandro e Marcelo que se reunissem com Ruth e, posteriormente, ela se reuniu com João Emanuel. A vítima gravou os dois encontros, ainda acreditando que seu filho, Pablo, havia sido ludibriado pela quadrilha.

João Emanuel, então, teria feito acordo de pagar a ela R$ 500 mil pelo terreno e “deixa claro aos presentes a possibilidade de levantar dinheiro da Câmara Municipal para pagamento da dívida em questão (aquisição dos terrenos) ou até mesmo na realização de um negócio futuro”, de acordo com trecho da denúncia.

“Na oportunidade, João Emanuel, invocando sua condição de Presidente e respectivo gestor/ordenador de despesa da Câmara Municipal de Cuiabá, solicita, para si e para outrem, vantagem indevida à Sra. Ruth Hércia, em futuro fornecimento de serviços gráficos no valor de hum milhão de reais pela empresa Neox Visual à Casa de Leis. Para tanto, explicita à Sra. Ruth que faria a contratação da empresa mediante licitação direcionada, sendo que parte do valor a ser pago deveria retornar para o denunciado João Emanuel e os demais vereadores”, diz o MPE.

Os promotores destacam que, apesar da afirmação de João Emanuel, não há indícios da participação de outros vereadores no ato.

De acordo com a denúncia, as investigações apontam que a quadrilha também teria como costume aplicar o chamado “golpe do Finan”, que consiste em utilizar pessoas que não possuem “nome sujo” na praça e fazer empréstimos bancários em nome deles, utilizando como garantia veículos não alienados, muitas vezes falsificados.

“João Emanuel liga para Marcelo Ribeiro, dizendo, em resumo, que precisava arrumar apenas o recibo (documento de transferência) de uma ‘nave’ (carro) para levantar um dinheiro rápido no valor de R$ 150.000,00, através de um ‘caboclo’ que tinha arrumado para fazer uma ‘operaçãozinha pra gente’”, diz outro trecho da denúncia.

LAÍSE LUCATELLI
MIDIA NEWS

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