MT tem pior taxa de isolamento do Brasil e faltam leitos de UTIs

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JORNAL NACIONAL

O Centro-Oeste é a região com as piores taxas de ocupação de UTIs. Solange esperou oito dias na fila por uma UTI. Nesta semana, a cuidadora de idosos morreu sem conseguir a vaga.

“Até quando. Quantas pessoas mais vão morrer? O que mais tão esperando? Minha irmã se foi. Deus não vai trazer ela, ela não vai poder voltar. Mas quantas pessoas mais vão ter que ir?”, diz Everaldo Rodrigues, irmão da Solange.

Mato Grosso está com praticamente todos os leitos para casos graves ocupados há três semanas. E esta situação de colapso é igual em Goiás, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. Segundo levantamento da Fiocruz, o Centro-Oeste tem ocupação de UTIs públicas acima dos 99%, pior situação do Brasil.

Em Mato Grosso do Sul, seis pessoas que aguardavam transferência para hospitais morreram esta semana. O filho da dona Andréia, João Guilherme, de 26 anos, foi uma das vítimas.

“Eu via na televisão, eu falava: ‘meu Deus, que triste. As famílias tão perdendo filhos, mãe, pai’. Mas é real. Não é filme, não é ficção é real. A Covid está destruindo mesmo, se você não cuidar, você vai perder”, lamenta Andréia Regina da Costa, mãe de João.

De acordo com dados das secretarias estaduais de Saúde, mais de mil pessoas aguardam por vagas de UTI no Centro-Oeste. E além da falta de leitos, os estados também têm em comum a baixa adesão ao isolamento social.

Segundo o site In loco, Mato Grosso tem a menor taxa de isolamento social do país (29,3%). Goiás aparece na quinta posição.

“É muito difícil a gente pedir que as pessoas que não têm situação financeira, que elas permaneçam em casa. Então, falta uma política econômica que ajude essas pessoas a se manterem dentro de casa, no momento que a gente já tem fila esperando esses leitos.

Então infelizmente essas pessoas eventualmente vão morrer sem ter o mínimo de dignidade para serem atendidas dentro de um hospital”, afirma o pesquisador da Fiocruz Diego Xavier.

Eli do Nascimento é médico intensivista. Perdeu o pai e a mãe para Covid. Ele pede mais apoio no enfrentamento à doença.

“A gente nunca imagina que o que está acontecendo com nosso paciente pode acontecer conosco. Isso é muito triste, muito marcante, vai ficar gravado na minha memória para vida toda”, diz o médico.

Repórter MT


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