Para capacitar os profissionais que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS), a Secretaria Executiva da Mulher (Semu) e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) integraram esforços nesta segunda-feira (10). A mobilização, inserida no cronograma do Agosto Lilás, reuniu servidores e jovens aprendizes para debater o acolhimento seguro nas unidades de saúde de Campo Grande.
A busca por atendimento em postos e hospitais frequentemente mascara pedidos silenciosos de socorro contra agressores. Por esse motivo, a transversalidade das políticas públicas torna-se vital para garantir amparo e direcionamento adequado em qualquer esfera da administração municipal.

“Quando falamos em proteção às mulheres, precisamos entender que nenhuma secretaria atua sozinha. A transversalidade das políticas públicas é fundamental para que essa mulher seja acolhida, orientada e protegida em todos os espaços onde buscar ajuda. O Agosto Lilás reforça justamente essa necessidade de união, informação e compromisso de toda a sociedade no enfrentamento à violência contra a mulher”, afirmou a secretária executiva da Semu, Angélica Fontanari.
Radar nos bairros
As unidades de saúde funcionam como detectores primários de abusos físicos e psicológicos. Os profissionais recebem treinamento para reconhecer os sinais da agressão e acionar imediatamente a rede de proteção, protegendo a integridade física e mental da paciente.
“Nossa secretaria é uma porta de entrada para esse tipo de mulher que realmente sofre a violência, sofre o assédio. Elas vêm ter o atendimento na rede de saúde pública e a gente consegue, dentro desse sistema, fazer o diagnóstico e, ao mesmo tempo, notificar que essa mulher está sendo agredida, que está acontecendo algum problema. Temos ciência de que a Secretaria de Saúde realmente é importante nesse processo”, explicou o secretário de Saúde, Marcelo Vilela.
Multiplicadores da comunidade
O ciclo de palestras alcançou também os adolescentes do Instituto Mirim, semeando consciência cidadã e formando novos vigilantes da causa nos bairros da Capital.
“Achei a palestra bem interessante porque descobri programas que eu não sabia que existiam. Levo como aprendizado alguns acontecimentos que foram apresentados e as falas da doutora. Eu conhecia alguns programas, mas não tinha noção de que existiam tantos e de que a rede era tão grande”, contou Sara Gabriele Miranda Maia Gonçalves, de 16 anos, moradora da região do Nova Lima.

O aprendizado técnico repassado durante a ação permite que os jovens orientem parentes, amigas e vizinhas sobre como procurar suporte adequado e romper o ciclo de abusos.
“Aprendi muitas coisas, inclusive sobre os programas que eu não sabia que existiam. Uma coisa que ficou marcada foi que essas informações podem abrir os olhos de muitas mulheres, inclusive de algumas que podem estar sofrendo violência. Foi muito bom”, disse Jean Junior Messe Ferreira, 16 anos, residente no bairro Caio Álvares
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