Política POLITÍCA
Aliados de Lula divergem sobre convocação do Conselho da República em meio à crise entre STF e PF
Grupo ligado ao presidente defende uma resposta institucional, enquanto integrantes do Planalto avaliam que medida poderia ampliar ainda mais a tensão entre os Poderes
09/09/2026 11h50
Por: Redação Fonte: Emmanuel Duailibi - AconteceMT
Vinícius Schmidt/Metrópoles - Gustavo Moreno/STF

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão divididos sobre a possibilidade de convocação do Conselho da República diante do novo capítulo da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF).

Enquanto alguns defendem que o presidente recorra ao colegiado como forma de buscar uma resposta institucional para o impasse, outros integrantes do governo consideram que a iniciativa poderia aumentar ainda mais a tensão e não teria efeitos práticos, já que o Conselho possui caráter consultivo.

A discussão ganhou força após o ministro André Mendonça, do STF, determinar, nesta terça-feira (8), o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. A decisão também prevê a abertura de investigações para apurar a atuação dos envolvidos.

Entre os defensores da convocação está Marco Aurélio Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo. Segundo ele, a gravidade do cenário exige uma manifestação institucional do governo federal.

“O Brasil está mergulhando em uma crise institucional sem precedentes na história do país. Poderes e órgãos da República avocando prerrogativas constitucionais que não lhes foram atribuídas”, afirmou Carvalho.

O advogado também argumenta que o artigo 89 da Constituição Federal, regulamentado pela Lei nº 8.041, estabelece o Conselho da República como órgão de consulta e aconselhamento do presidente da República em situações previstas constitucionalmente.

A proposta, entretanto, encontra resistência dentro do próprio Palácio do Planalto. Um interlocutor do governo avalia que a convocação poderia provocar uma escalada ainda maior do conflito entre as instituições.

Na avaliação desse grupo, como o Conselho da República possui natureza consultiva, sua convocação não necessariamente produziria uma solução concreta para a crise. A preocupação é que a medida acabe aumentando a tensão política sem apresentar um resultado efetivo para o impasse.