
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) afastou cautelarmente o professor Saulo Tarso Rodrigues, do curso de Direito do Campus Cuiabá, após denúncias de assédio, insistência em manter contato e ameaças contra uma estudante da instituição.
Segundo a UFMT, o afastamento foi determinado pela Reitoria como medida preventiva para proteger a acadêmica, preservar o ambiente universitário e garantir que a apuração dos fatos ocorra de forma imparcial e com segurança para todos os envolvidos.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela estudante, o contato com o professor começou em fevereiro de 2026, inicialmente restrito à relação entre docente e aluna. No entanto, conforme o relato, ele passou a oferecer caronas, fazer convites para encontros após as aulas e enviar mensagens frequentes, incluindo elogios sobre sua aparência e convites para tomar vinho.
A estudante afirma que, diante da insistência, bloqueou o professor no WhatsApp. Mesmo assim, ele teria buscado outras formas de contato, utilizando outro número de telefone, enviando mensagens pelo Instagram, perguntando sobre ela a outros alunos e, inclusive, recorrendo à própria mãe para tentar restabelecer a comunicação. A esposa do professor também teria enviado mensagens à acadêmica.
Diante da situação, a vítima representou criminalmente contra o docente pelos crimes de importunação sexual e perseguição (stalking), além de solicitar medidas protetivas. O pedido foi deferido pela Justiça, que determinou que o professor mantenha distância mínima de 500 metros da estudante, de seus familiares e das testemunhas, além de proibi-lo de qualquer contato por meio físico ou eletrônico e de frequentar a residência e o local de trabalho da vítima.
Além da investigação envolvendo a estudante, Saulo Tarso Rodrigues foi condenado, no último dia 21 de julho, pela 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, pelo crime de perseguição (stalking) praticado contra a ex-esposa.
A sentença fixou pena de 10 meses e 15 dias de prisão, em regime inicial aberto, além do pagamento de multa e de R$ 3 mil por danos morais à vítima.
Segundo a decisão judicial, após o fim de um relacionamento de aproximadamente 13 anos, o professor enviou diversos e-mails insistindo em encontros presenciais, mesmo após a ex-companheira manifestar que desejava manter contato apenas para tratar de assuntos relacionados aos filhos. O magistrado considerou que as mensagens tinham caráter intimidatório e destacou ainda relatos anteriores de ameaças e indícios de risco à vítima.
Em nota oficial, a UFMT informou que o afastamento cautelar integra um procedimento administrativo interno e que é independente da ação penal envolvendo fatos ocorridos na esfera privada.
A universidade ressaltou que, devido ao sigilo legal dos processos administrativos, não divulgará outras informações neste momento e reafirmou seu compromisso com a promoção de um ambiente universitário seguro, livre de qualquer forma de violência, assédio ou discriminação, assegurando a apuração das denúncias com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
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