
Câmeras de segurança da casa onde Gleici Keli Geraldo foi morta, em Lucas do Rio Verde (a 335 Km de Cuiabá), registraram a movimentação do companheiro dela antes, durante e depois do crime ocorrido em 24 de junho de 2025. As imagens foram divulgadas pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, que representa a família da vítima como assistente de acusação, e mostram uma sequência que começa com conversas sobre dinheiro e termina com o homem pedindo ajuda após atacar a esposa e a filha.
Em um dos registros, Daniel Frasson aparece discutindo com Gleici sobre questões financeiras. Segundo o advogado, em determinado momento ele reclama de ter gastado cerca de R$ 100 mil com equipamentos e serviços relacionados à Starlink.
As câmeras também registraram uma conversa de Daniel com a própria irmã sobre a situação vivida pelo casal. O conteúdo desses diálogos foi apresentado pelo advogado como parte dos elementos que devem ser considerados pela Justiça na análise do caso.
MOVIMENTAÇÃO ANTES DO ATAQUE
A sequência mais grave registrada pelas câmeras acontece pouco depois. Conforme o material divulgado por Rodrigo Pouso, Daniel aparece andando pela residência antes de pegar uma faca na cozinha.
Em seguida, ele caminha até o quarto onde estava Gleici e a ataca. A movimentação continua sendo registrada pelas câmeras. Depois de deixar o quarto, Daniel retorna para a sala. Na sequência, vai novamente até outro cômodo da residência, onde estava a filha do casal, e também a ataca.
Durante o episódio, a câmera registra a criança gritando “pai”.
Pouco depois, Daniel volta para a sala com a camisa coberta de sangue. Na sequência, ele próprio pede ajuda e chama uma pessoa que, segundo a descrição divulgada pelo advogado, seria um possível vizinho.
A sequência das imagens é utilizada por Rodrigo Pouso para questionar a tese de que Daniel não teria consciência dos atos praticados.
Em uma das publicações, o advogado afirma que Daniel teria verificado se a câmera estava funcionando antes do ataque e questiona se isso poderia indicar planejamento. A conclusão sobre eventual premeditação, porém, depende da análise das imagens e dos demais elementos do processo pela Justiça.
MENSAGEM ALERTOU GLEICI SOBRE AS FACAS
Além das gravações, o advogado divulgou uma mensagem enviada a Gleici horas antes do crime. O texto teria sido encaminhado pela cunhada da vítima, Fernanda, às 20h38. Na mensagem, ela orienta Gleici a esconder as facas da área de festa sem que Daniel percebesse:
“Cuh, sem o Dani ver... a hora que ele for dormir, esconde todas as facas da área de festa, não sei... senti algo ruim!”
Para Rodrigo Pouso, o conteúdo levanta questionamentos sobre o que familiares sabiam a respeito da situação vivida pelo casal antes do crime.
O advogado também questiona por que a familiar teria feito o alerta e se havia conhecimento prévio de algum risco. Essas afirmações, contudo, não comprovam eventual participação ou omissão criminosa da mulher mencionada. Qualquer responsabilidade de terceiros depende de investigação e de eventual comprovação no processo.
FAMÍLIA CONTESTA TESE
A divulgação das imagens ocorre durante a discussão sobre a saúde mental de Daniel e a capacidade dele de responder criminalmente pelos atos praticados. Um primeiro laudo pericial apontou inimputabilidade. O resultado foi contestado pelo Ministério Público e pela família de Gleici, e uma nova avaliação foi determinada pela Justiça.
Posteriormente, uma junta formada por três peritos realizou nova avaliação. O laudo concluído em junho de 2026 apontou que Daniel apresenta esquizofrenia e transtorno bipolar e manteve a conclusão pela inimputabilidade.
A conclusão pericial ainda precisa ser analisada pela Justiça. O reconhecimento de inimputabilidade é uma questão jurídica relacionada à capacidade de entendimento e autodeterminação no momento dos fatos e não representa, por si só, uma absolvição automática.
É justamente nesse ponto que as imagens passaram a ser usadas pela acusação como elemento de questionamento. Rodrigo Pouso sustenta que a sequência registrada pelas câmeras deve ser confrontada com as conclusões dos laudos.
O CRIME
Gleici Keli Geraldo, de 42 anos, foi morta dentro da residência em Lucas do Rio Verde. Daniel, companheiro da vítima e pai da filha mais nova, também atacou a criança, que sobreviveu após passar semanas internada.
Após o crime, Daniel tentou tirar a própria vida e acabou preso. Atualmente, permanece internado em uma clínica particular enquanto o processo segue em andamento. A família de Gleici atua como assistente de acusação, representada pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda.
A defesa de Daniel não foi localizada para comentar as imagens divulgadas e os questionamentos apresentados pelo advogado da família. O espaço permanece aberto para manifestação.
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