A Polícia Civil identificou que, entre as movimentações financeiras investigadas na Operação Legado, deflagrada na manhã de hoje (15), estão transações realizadas por meio da conta bancária de uma mulher que já havia morrido. A investigação apura um suposto esquema de corrupção e desvio de dinheiro público na Prefeitura de Nossa Senhora do Livramento (a 42 km de Cuiabá), com movimentações superiores a R$ 90 milhões nas contas dos investigados.
A mulher era mãe do proprietário de um posto de combustíveis investigado e avó da dona de uma construtora que teria recebido valores considerados atípicos provenientes do estabelecimento. Os dois negócios mantinham contratos com a prefeitura durante a gestão municipal anterior.
Um dos contratos previa o abastecimento da frota de veículos oficiais do município, enquanto o outro era destinado à reforma de pontes de madeira. A Polícia Civil busca rastrear o caminho dos recursos e apurar possíveis crimes de peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As informações divulgadas até o momento não esclarecem quem realizou as transações na conta da mulher após sua morte. Diante dos indícios, a Justiça determinou que as instituições financeiras impeçam a reativação ou a utilização indevida da conta por terceiros, inclusive por pessoas com poderes de representação.
Operação Legado
A operação é conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e cumpre 30 ordens judiciais contra cinco pessoas físicas e uma empresa. Entre os alvos estão uma ex-secretária municipal, empresários e pessoas apontadas como possíveis laranjas.
A Justiça também determinou o bloqueio inicial de R$ 15,8 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de dois veículos, uma motocicleta e um caminhão. Uma das empresas investigadas foi proibida de participar de licitações e firmar contratos com o poder público, especialmente com a Prefeitura de Nossa Senhora do Livramento.
A investigação é um desdobramento da Operação Liberatio, deflagrada em 2024 pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). A nova fase busca aprofundar a apuração sobre o destino de recursos supostamente desviados dos cofres municipais.
O montante de R$ 90 milhões corresponde ao volume de movimentações financeiras identificado pelos investigadores e não representa, necessariamente, o valor efetivamente desviado do dinheiro público.
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